

Inconsciente Cancelado?
A convite da professora e psicanalista Jéssica Lira, organizadora do livro Tribunal das Sombras, que reúne relatos e perspectivas sobre um tempo marcado pelo fenômeno do cancelamento em diferentes âmbitos da vida e do exercício profissional, tive a alegria de contribuir com um artigo que busca refletir muito mais sobre a ética da psicanálise do que sobre disputas ideológicas.
Gostaria de antecipar que este texto expressa minha leitura, construída a partir da minha experiência, do meu percurso e da forma como compreendo a prática psicanalítica.
No meu artigo, intitulado "Inconsciente Cancelado?", proponho uma reflexão sobre os efeitos da cultura do cancelamento e das redes sociais na prática psicanalítica contemporânea. Partindo de Freud e dialogando com autores como Lacan, Alain Badiou, Jacques André e Elisabeth Roudinesco, tento innterrogar através do artigo até que ponto a clínica pode permanecer fiel à ética da escuta quando atravessada por demandas morais, identitárias e políticas.
Mais do que discutir o cancelamento como fenômeno social, o meu texto questiona o risco de se transformar a psicanálise em um espaço de confirmação de certezas, em detrimento daquilo que constitui sua especificidade: a abertura ao inconsciente, ao singular e ao inesperado. Trata-se de uma defesa da escuta analítica como um lugar que não cancela o sujeito, mas o convoca a se implicar em sua própria história.
"A psicanálise vai na contramão do que precisa fazer sentido; trata do não-todo e da experiência de se haver com a vida." (Pinheiro, 2025)
O livro já está disponível e conta também com outros artigos de outras áreas. Acho interessante passear pelas diferentes perspectivas.
*O compartilhamento desse artigo é autorizado desde que seja feita a referência à autora principal do mesmo.
Este artigo foi escrito por Daniele Pinheiro, psicanalista.
Link do Livro "TRIBUNAL DAS SOMBRAS" AQUI