
Sobre Transitoriedade

Apreciando a transitoriedade das estações em Paris!
Há um movimento de querer uma linha reta e segura (sempre).
Essa fotografia me fez lembrar de um dos textos mais bonitos que Freud já escrevera, intitulado Sobre a Transitoriedade de 1915, em que ele sugere que devíamos apreciar o que é passageiro e temporário com o passar dos (d)anos.Freud percebe uma tristeza no rosto do poeta ao se deparar com a efemeridade da natureza, da flor que fenecia e da primavera que acabara. Mas Freud observa que as estações sempre retornam e que apontam para um tempo que é circular… A preciosidade da vida, diz Freud repousam em sua fugacidade: “se existir uma flor que floresça apenas uma noite, ela não nos parecerá menos formosa por isso.”
*foto tirada em 16 de março de 2022, no pé da famigerada Torre Eiffel
Implicar-se em nossas estações certamente é uma das coisas mais bonitas e também, mais difíceis que existe! Mesmo que com as dores, os percalços, e a transitoriedade que é “há(vida)”.
Certamente quando algo termina, é para que algo possa iniciar! Tal como as estações que bordam Paris… cada temporada tem sua função. Para pôr algo em funcionamento, para que algo continue funcionando - andando!
Talvez a vida seja isso mesmo… como uma próxima estação: que inicia, funciona e termina. Mas sempre avistando a próxima estação, como um desejo que pulsa, dá vida.
O passeio com o poeta ocorre antes da 1a Grande Guerra, mas Freud escreve o artigo em 1915 – em plena guerra – e observa que a humanidade é também capaz de destruir a natureza, as obras de arte, e mais, que a guerra, nos escancara que nós não somos tão nobres e civilizados sujeitos que contamos por aí.
Com o passar do tempo, talvez uma análise nos possibilite ter uma vida qualificada e não uma qualidade de vida, como diz J. Forbes. É preciso bancar todas as estações. E que talvez não seja somente com dinheiro e Wi-Fi.
Freud finaliza: reconstruiremos tudo o que a guerra destruiu, talvez com fundamentos mais sólidos e mais duráveis do que antes. (talvez).